O futuro passa
pela integração do VoIP com as redes tradicionais
(*) Cláudio Sá
A tecnologia tem transformado a vida das pessoas e a tendência é
que perpasse, cada vez mais, todas as suas instâncias, especialmente
nas organizações e no trabalho. Neste sentido, os call centers
– um dos setores que mais emprega no País, especialmente
mão-de-obra jovem no seu primeiro emprego e universitários
– buscam crescimento, profissionalização, aparelhamento
tecnológico e desenvolvimento.
O caminho passa pela adoção
de tecnologias que devem mudar o contexto da sua atuação,
especialmente a comunicação de voz pela Internet. Sem dúvida,
o VoIP é uma revolução importante para as empresas
deste setor, que começa a ganhar força, a médio e
longo prazos. Neste cenário, a convergência é um fator
imperativo, principalmente com plataformas híbridas, que mesclam
IP com TDM, preparando as empresas para o futuro, onde se estima que seja
tudo em IP.
Porém, o entrave provisório,
como em toda transição tecnológica, é a necessidade
de se investir na substituição de equipamentos e soluções.
Em função destes custos envolvidos, a migração
para a tecnologia IP ainda é uma possibilidade para grandes empresas.
Para a maioria das organizações, a economia gerada ainda
não é atrativa o bastante para migrar de um sistema mais
antigo. Entretanto, é bom não esquecer que, a exemplo de
outras tecnologias que ficaram totalmente obsoletas, como o celular analógico,
a migração é uma proteção do sistema
no longo prazo, simplesmente porque os sistemas tradicionais não
vão estar disponíveis nos próximos anos.
Como estamos projetando expectativas para
o futuro, vale mencionar que, assim como os mainframes não foram
abandonados, de imediato, e muitas corporações até
hoje os utilizam, acoplados a soluções intuitivas, inclusive
com acesso via web, a telefonia tradicional pode se adaptar, integrar-se
e coexistir, por um longo tempo, ainda, com as soluções
de comunicação de voz via internet. E, até, permanecer,
se acopladas às novas.
É possível afirmar que a
associação do VoIP ao uso das soluções existentes,
ou seja, o modelo híbrido, no qual há o uso da tecnologia
VoIP internamente e TDM externamente, configura-se numa excelente alternativa,
já que permite a migração gradativa. Ora, a integração
IP com as redes tradicionais de telefonia democratiza o uso e mantém
os call centers menores na competição pelos clientes.
No longo prazo, é possível
antever a redução de custos, por meio da redução
de despesas com ligações telefônicas e redução
de custos operacionais com a adoção de plataformas virtuais
(IP), além do aumento da flexibilidade na alocação
de pessoas e sites, o que favorece a descentralização das
operações.
O VoIP deve promover uma reorganização
em toda a sociedade, inclusive do trabalho, com a inclusão de novos
formatos, que pré-configuram novas disposições e
desdobramentos. Graças a esta integração de tecnologias
é possível antever agentes de call center trabalhando, remotamente,
de forma transparente para os contatados, pois a voz sobre IP opera independentemente
do local em que os agentes estão.
Também, permite manter grupos de
profissionais dispersos geograficamente, acolhendo os melhores e mais
bem preparados, independentemente de onde estejam. Na prática,
isto significa poder se conectar a uma rede de mini-call centers; partir
para a prestação de serviços offshore e explorar
diferentes modos de operação, quaisquer que sejam as condições.
Além disso, torna possível
terceirizar tecnologia de call center, já que todo o aparato tecnológico
pode estar em um Data Center e as PAs podem trabalhar remotamente. Aqui
estamos falando da nova alternativa apresentada ao mercado que são
os “outsources de tecnologia”. Ora, o formato reduz investimentos
e permite prestar atendimento diferenciado através da regionalização
do atendimento e redução de custos com o trabalho em casa,
de transporte, de energia etc.
*Cláudio
Sá é presidente da Teclan, líder brasileira em tecnologia
para call centers e operadoras de telecomunicações.
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