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A utilização de sistemas modulares que permitam lidar com problemas de segurança em qualquer ponto da rede (e não apenas nos pontos de acesso) pode oferecer um maior grau de segurança nesse caso. No entanto, devido à especificidade de algumas soluções e as novas tecnologias emergentes, as soluções devem se preocupar em trabalhar na segurança das redes sem fio, principalmente ao nível da intrusão. Uma vez garantido o nível de segurança no que diz respeito à infra-estrutura, as questões de segurança podem ser tratadas no nível de aplicação e não mais em relação ao meio utilizado.


Qualidade de Serviço

A voz é um tipo de serviço em tempo real que não admite latência na rede, ou seja, o tempo de envio do pacote de voz é o ponto chave para a transmissão em redes onde trafegam pacotes de dados. Os pacotes de voz, ao contrário da maioria dos pacotes de dados, necessitam de uma rede estável que ofereça baixa latência e um mínimo atraso (delay), ou seja, necessitam de redes que ofereçam uma Qualidade de Serviço - QoS (Quality of Service).
É através do QoS que os fluxos de dados das aplicações podem ser categorizados em classes de serviço e assim passam a receber um tratamento diferenciado, de acordo com a importância de cada pacote. Este tratamento se dá normalmente por mecanismos de controle e de priorização de fluxo.
Por exemplo, temos a seguinte situação: uma rede com link de Internet, por onde trafegam vários pacotes de diferentes serviços como: FTP, HTTP, SMTP, etc. Uma estação de trabalho conectada nesta rede consome uma determinada banda de transmissão para enviar e receber informações. Se houver uma conexão de voz ativa nesta mesma máquina, a banda consumida tende a aumentar mesmo que seja usado algum tipo de compressão para os dados.

Se, nesta mesma rede, passamos a ter outras máquinas realizando as mesmas funcionalidades da primeira, mas realizando ainda downloads ou uploads de arquivos de forma simultânea, nesta condição teríamos a possibilidade de um link saturado, com a toda a banda praticamente consumida e, neste caso, a conexão de voz seria certamente prejudicada porque não haveria prioridade para os pacotes de voz.
Isso acontece porque os pacotes de voz precisam sair em tempo real e sem atraso (ou com o mínimo de atraso possível), mas se a rede não oferece uma forma de priorizar os pacotes de voz, simplesmente qualquer pacote que chegar primeiro terá a preferência para ser transmitido. Assim, os pacotes de voz esperariam outros pacotes que estivessem na sua frente disputando a banda disponível e teriam sua saída retardada.
O que se faz na prática é colocar todos os pacotes de voz na frente dos outros pacotes ou disponibilizar uma quantidade específica de banda para que esses pacotes tenham prioridade de transmissão na rede. Neste caso, os pacotes sem prioridade ficam aguardando a sua vez para serem transmitidos, enquanto os prioritários utilizam toda a banda ou uma parte predefinida dela. As outras aplicações ou pacotes, ou aguardam a sua vez, ou recebem uma porcentagem menor da banda. Assim, se um usuário da rede tentar fazer um download ao mesmo tempo em que outro estiver fazendo uma conexão de voz na mesma rede, o QoS dará preferência para a ligação de voz.


Prós e contras

A utilização de voz em redes sem fio é realmente importante pelos benefícios que oferece, seja pela comodidade que traz ao usuário, seja por causa da redução de custos com telecomunicações que possibilita.

A transmissão de voz está sujeita aos mesmos problemas de segurança que uma rede sem fio oferece para a transmissão de dados, estando susceptível aos mesmos tipos de ataques, ou seja, se não for corretamente protegida, a voz (digitalizada sob a forma de pacotes) pode ser igualmente capturada, permitindo aos intrusos a utilização indevida das informações. Essa preocupação com a transmissão de voz é tão importante em termos de segurança como em termos da transmissão de qualquer outro tipo de informação sobre o mesmo ambiente.
Por fim, além dos habituais cuidados com o acesso à informação em uma infra-estrutura sem fio, com a voz temos uma preocupação adicional: os problemas ocasionados pela introdução de atrasos nos pacotes de voz, que podem reduzir a qualidade percebida em termos de conversação e até interromper a própria comunicação.

Sobre o Autor
José Maurício S. Pinheiro é profissional da área de telecomunicações e
especialista em redes de computadores, sendo membro da BICSI Brasil e
Aureside. Atualmente é professor do Centro Universitário de Volta
Redonda - UniFOA e da Escola Técnica Pandiá Calógeras - ETPC.

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