Qualidade de Serviço em VoIP
Adailton J. S. Silva <adailton@lct.rnp.br>
Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP)
Introdução
QOS – Modelo básico
Classe de serviços – Precedência IP
Controle e inibição de congestionamento
Considerações preliminares
Referências bibliográficas
Sites relacionados
Desde sua origem, o protocolo IP foi desenvolvido e implementado
como um protocolo de comunicação com controle
de tráfego utilizando a regra do melhor esforço
(Best-effort Service ou Lack of QoS),
que não provê nenhum mecanismo de qualidade de
serviços e, conseqüentemente, nenhuma garantia de
alocação de recursos da rede. Na época,
niguém imaginava que a Internet se tornaria a grande
rede mundial que é atualmente. E, desse rápido
crescimento da Internet, a tendência atual é a
integração de voz (telefonia) e dados numa única
infra-estrutura de redes de pacotes, a rede IP. Essa emergente
e crecente demanda pelos serviços IP Telephony, como
chamado pelo mercado, provocou uma corrida frenética
dos fabricantes de equipamentos de redes para desenvolver protocolos
que garantissem qualidade de serviços fim-a-fim. É
sobre essa parafernália de protocolos, técnicas
e mecanismos que falaremos a seguir.
Introdução
Para adicionar recursos de qualidade de serviços à
pilha TCP/IP, dois modelos
de classes de serviços para tráfego Internet estão
sendo considerados e desenvolvidos pela IETF (Internet Engineering
Task Force): o primeiro refere-se aos serviços diferenciados,
denominado Differentiated Services [ DIFFSERV
] ou ainda de Soft QoS, que provê uma tratamento diferenciado,
com preferência estatística, a determinados tipos
de fluxo; e o segundo refere-se aos serviços integrados
ou Integrated Services [ INTSERV ], também chamado de
Hard QoS, que fornece uma garantia absoluta na alocação
dos recursos da rede.
Artigos como Qualidade de Serviço na Internet , e outros
desta edição do NewsGeneration, inclusive, apresentam
estes dois modelos com mais detalhes. Portanto, não é
o objetivo principal deste trabalho se aprofundar nos mesmos.
Aqui, serão abordados mecanismos de controle e inibição
de congestionamento, técnicas de controle de tráfego
com classificação e priorização
de fluxo. Além disso, são apresentadas algumas
comparações entre as técnicas abordadas,
mas tudo sem se prender às denominações
e classificações dos dois modelos definidos pela
IETF.
Neste artigo, trata-se, especificamente, de mecanismos de garantia
de qualidade de serviços fim-a-fim para voz sobre IP
(VoIP) ou IP Telephony,
mas que também podem servir para outros tipos de tráfego,
como vídeo.
Todos os protocolos aqui apresentados já podem ser utilizados
em projetos reais, estando todos disponíveis nos principais
equipamentos Cisco,
plataforma básica para os exemplos utilizados nos próximos
artigos. Mas alguns protocolos também estão presentes
em plataformas de outros fabricantes como Nortel,
Lucent,
Motorola e 3Com.
O tema VoIP é
muito vasto. Há diversos protocolos e funcionalidades
envolvidas, como a arquitetura de interoperabilidade do protocolo
H.323, por exemplo. Como o artigo não pode ser muito
extenso, os protocolos e funcionalidades
voip não são aqui abordados. Mas não
se preocupem, pois, mais a frente, será apresentado um
artigo apenas sobre voz sobre IP, com os detalhes que o assunto
requer. Será apresentado também um breve estudo
de um caso real de voip (IP Telephony) com considerações
de projeto, utilizando roteadores e gateways VoIP da Cisco.
QOS – Modelo básico
Como mostra o modelo da figura 1 a seguir, o principal objetivo
da QoS é priorizar o tráfego
interativo sensível a retardo, em detrimento ao tráfego
referente à transferência de arquivos, que não
é sensível a retardo.

A qualidade de serviço deve ser fim-a-fim, ou seja,
considerando o modelo acima, o tráfego tem que ser tratado
inicialmente na rede local (LAN) de origem, depois no próprio
roteador (controle de descarte de pacotes, por exemplo), posteriormente
nas conexões de longa distância (WAN) e roteadores
intermediários, no roteador destino, e finalmente na
rede local destino. Utilizaremos este modelo básico como
referência nos itens a seguir.
Classe de serviços – Precedência IP
Para se obter as classes de serviços (Class of Service
- CoS) no atual protocolo da Internet (IPv4), foram utilizados
3 bits do campo ToS (Type of Service) do cabeçalho IP,
como ilustra a figura 2 abaixo. Este campo foi inicialmente
definido e estava reservado para indicar os tipos de serviços;
mas, de fato, nunca havia sido utilizado em nenhuma implementação.
Com a classificação de pacotes, obtém-se,
então, as funcionalidades para precedência IP ou
IP Precedence.

Figura 2 - Precedência IP no Campo ToS
Com os 3 bits para o campo Precedência IP têm-se
as seguintes configruações e funções:
* 0 - rotine: estabelece a precedência rotina;
* 1 - priority: estabelece a precedência prioridade;
* 2 - immediate: estabelece a precedência prioridade;
* 3 - flash: estabelece a precedência flash;
* 4 - flash-override: estabelece a precedência flash-override;
* 5 - critical: estabelece a precedência crítica;
* 6 - internet: estabelece a precedência internetwork
control;
* 7 - network: estabelece a precedência controle de rede.
Quanto maior o nível de classificação
do pacote, maior será a prioridade no tratamento e alocação
de recursos da rede. Os níveis 6 e 7 são reservados
para as aplicações de controle e gerência
da rede, ou seja, não é possível habilitar
um pacote com 6 ou 7 e nem modificar um pacote já marcado.
Todos os pacotes são normalmente marcados com o nível
zero.
Nos roteadores Cisco, o campo precedência IP pode ser
modificado através de listas de acesso (access lists)
ou mapas de rotas (route maps). Nos gateways
VoIP, podem ser habilitados em cada interface lógica
dial peer voip.
Controle e inibição de congestionamento
Há vários mecanismos de enfileiramento para controle
e prevenção de congestionamento em interfaces
de roteadores (Ethernet, seriais, Frame
Relay, etc.) e switches nível 3, aplicáveis
tanto em redes WAN como em LAN. As principais são apresentadas
a seguir.
FIFO - FIRST IN FIRST OUT
Em geral, o controle de tráfego nas conexões
seriais dos roteadores é implementado através
de filas FIFO (o primeiro a entrar é o primeiro a sair).
Uma fila FIFO é um mecanismo de armazenamento e repasse
(store and forward) que não implementa nenhum tipo de
classificação.

Figura 3 - Operação da Fila FIFO
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