Convergência
de voip e Dados em Redes de Computadores
José Mauricio Santos Pinheiro
A "convergência de voz e
dados" é uma das expressões
que mais temos nos habituando a ouvir
sem que, no entanto, tenhamos nos deparado
com um processo efetivo de convergência
entre tais tecnologias. A convergência
de múltiplas mídias, especialmente
voz e dados é, sem dúvidas,
um dos assuntos mais abordados na atualidade
pelas empresas ligadas aos segmentos
de redes de computadores e de sistemas
de telecomunicações. Convergência
não é um tema recente.
Desde o final da década de 1980,
as empresas que lidam com tecnologia
começaram a se voltar para esse
conceito. Nessa época, o que
se entendia por convergência era
a busca por uma fórmula que otimizasse
os meios de comunicação
através da instalação
de equipamentos ou da utilização
de sistemas e que permitissem a coexistência
do tráfego de vídeo, voz
e dados no mesmo meio de transmissão.
Foi com base nesse conceito que muitas
redes corporativas foram construídas
visando suportar aplicações
que precisavam cada vez mais de segurança,
integração e gerenciamento.
Tecnologias
Podemos considerar que o primeiro passo
em direção às redes
convergentes de voz e dados foi dado
com o surgimento das redes de telefonia
totalmente digitais, baseadas principalmente
em infra-estruturas de redes ópticas
e que permitiram uma série de
melhorias em relação aos
antigos sistemas de comunicação
analógicos. A seguir, tivemos
o surgimento da Internet, fato que levou
ao desenvolvimento de novas tecnologias
que fossem capazes de suportar o grande
aumento do tráfego de informações
sob vários formatos (principalmente
dados e voz), originado em diferentes
topologias de rede, desde pequenas LAN?s
de escritórios até redes
globais com vários provedores
de comunicação. Dentre
essas novas tecnologias, candidatas
a implementar uma próxima geração
de redes convergentes (NGN), podemos
destacar a Voz sobre IP (VoIP) e a Voz
sobre Frame Relay (VoFR) como as mais
empregadas no momento.
VoIP e VoFR
Desde que o TCP/IP tornou-se uma solução
estratégica para redes, surgindo
como um protocolo de convergência
para dados, voz e vídeo, muitos
esforços foram feitos para conceber
novas funções e aumentar
sua performance. Muitas empresas passaram
a utilizar serviços baseados
no protocolo IP em suas redes com o
objetivo de combinar o tráfego
gerado entre LAN?s e WAN?s ou para possibilitar
simplesmente a integração
dos serviços de voz entre os
diversos usuários de suas redes.
Dentre as muitas tecnologias convergentes,
capazes de transportar voz e dados pela
Internet, uma das que mais se destaca
atualmente é a chamada Voz sobre
IP ou simplesmente, VoIP. Trata-se de
uma tecnologia que pode ser aplicada
tanto na infra-estrutura das redes das
operadoras de telecomunicações,
como também em aplicações
corporativas e domésticas. Mas,
será que o protocolo IP atual
é o mais adequado para transportar
voz? Tecnicamente a resposta seria não.
O IP que utilizamos atualmente (IPv4)
não é o mais adequado
para trafegar voz porque não
apresenta mecanismos que permitam o
controle de QoS (Qualidade de Serviço).
Isso não significa dizer que
não seja possível trafegar
voz sobre IP. Apenas não temos
como fazer com que uma rede IP priorize
o tráfego de voz em um momento
de congestionamento, nem como impedir
que uma transferência de arquivos
degrade a qualidade de voz de quem fala
ao telefone usando a rede. Este tipo
de problema deverá ser resolvido
com a nova versão de IP (IPv6),
que implementa soluções
para QoS ou através de protocolos
de controle que possam garantir essa
qualidade necessária. Vários
protocolos já foram especificados
e implementados até o momento.
Os organismos internacionais que padronizam
os protocolos de comunicação
estão trabalhando para estabelecer
qual (ou quais) serão os mecanismos
de qualidade de serviço que serão
adotados pela indústria para
que, dessa forma, os fabricantes de
equipamentos possam se adequar e oferecer
produtos com a qualidade exigida pelos
usuários.

Figura 1 - Exemplo de configuração
de rede com VoIP
Já o Frame Relay é um
protocolo reconhecido pela sua capacidade
de convergir, de maneira eficaz, em
termos de custo, dados, voz e vídeo
a baixas velocidades. O Frame Relay
há alguns anos atrás era
tido como um protocolo apenas para dados.
Atualmente ele é o mais utilizado
para transporte de voz em redes corporativas.
A tecnologia Frame Relay também
possui facilidades para o transporte
de voz, fax e sinais de modems analógicos
atendendo aos requisitos de atrasos
(delay) específicos para esse
tipo de aplicação. Uma
aplicação muito comum
atualmente é a VoFR (Voz sobre
Frame Relay).

Figura 2 -Configuração
de rede com VoFR
Voz Sobre Pacotes
Tanto o transporte de Voz sobre Frame
Relay quanto o de Voz sobre IP fazem
parte de uma tecnologia genérica
que chamamos de "voz sobre pacotes".
Esse nome é usado com o objetivo
de distinguir esta aplicação
da antiga tecnologia de multiplexação
no tempo dos canais de voz e dados,
o conhecido TDM. O TDM tinha como característica
principal a alocação estática
de banda para cada canal de voz ou de
dados em uma rede. Essa preocupação
com o desperdício de banda fez
com que a indústria se voltasse
para o desenvolvimento de tecnologias
que permitissem a alocação
dinâmica de recursos na rede a
este novo conceito de alocação
dinâmica se deu o nome "voz
sobre pacotes". Na prática,
o Frame Relay foi o único protocolo
de pacotes usado efetivamente para transportar
voz, isto porque ele apresenta características
importantes como baixo overhead, ou
seja, um volume muito grande de bits
transmitidos com informação
útil e mecanismos de controle
de congestionamento, ideais para uma
aplicação sensível
ao atraso como é a voz. Como
o processamento dos pacotes no Frame
Relay é rápido, ele é
ideal para interligar redes complexas.
Como é possível transmitir
múltiplas conexões lógicas
em uma única conexão física,
os custos de comunicação
podem ser reduzidos. Pela redução
da quantidade de processamento necessária,
são possíveis um maior
desempenho e melhor tempo de resposta.
Para a maioria dos administradores de
redes, a possibilidade de transportar
a voz proveniente de um PABX e sinais
de dados através da mesma rede
usando procedimentos comuns de gerenciamento
e manutenção, atende os
requisitos de redução
de custos e de complexidade das grandes
redes corporativas. Convém ressalvar
que, como o Frame Relay não faz
conversão de protocolos nem detecção/correção
de erros, os dispositivos de rede precisam
ser inteligentes, envolvendo a utilização
de alguns equipamentos Frame Relay como
os FRAD?s (Frame Relay Assembler/Disassembler),
roteadores, bridges e switches de frame.
Deve-se levar em consideração
também a qualidade do serviço
prestado pelas operadoras de telecomunicações
para que o resultado das aplicações
de rede possam atender os requisitos
dos serviços disponíveis
aos usuários.
Aplicações
Genericamente, Voz sobre Frame Relay
(VoFR) é uma tecnologia eficaz
de transporte para WAN, sendo, neste
caso, mais eficiente em termos de banda
do que a tecnologia de VoIP. Entretanto,
VoFR não pode ser implementado
sobre LAN`s ou até o desktop.
Por esse motivo VoIP (voz sobre IP)
é a forma de implementação
predominante de voz sobre pacotes hoje
e, para aplicações de
voz, é normalmente a única
opção, mesmo que a implementação
de rede seja apenas para a comunicação
entre PABX`s situados em pontos remotos.
A utilização de aplicações
baseadas em VoFR ou VoIP auxiliam na
redução dos custos com
as ligações telefônicas,
comunicação entre os escritórios
remotos de uma empresa, atividades de
treinamento à distância
(videoconferência), entre outros,
utilizando a infra-estrutura de telecomunicações
existente para o tráfego de voz,
dados e imagem.
Conclusão
O Frame Relay e o IP são protocolos
que se destinam a aplicações
completamente distintas, servindo apenas
como invólucros para o encapsulamento
da informação, seja ela
voz, dados, imagem. A escolha de um
ou outro para o transporte da informação
através de uma rede de comunicação
irá depender da aplicação
final, e não o contrário.
Em uma rede privada, com conexões
ponto a ponto, o Frame Relay pode ser
usado como protocolo básico para
a conexão de voz e dados entre
duas localidades quaisquer, sendo transparente
ao usuário. O mesmo vale para
o protocolo IP. A utilização
de Voz sobre IP em uma aplicação
tipicamente corporativa - integração
de PABX ou ramais remotos para tráfego
de voz interno à empresa, por
exemplo, irá certamente demandar
maiores investimentos em banda a fim
de garantir a mesma qualidade que seria
obtida com Voz sobre Frame Relay.
José Maurício Santos
Pinheiro Professor Universitário,
Projetista e Gestor de Redes, membro
da BICSI, Aureside, IEC e autor dos
livros -Guia Completo de Cabeamento
de Redes - CabeamentoÓptico
E-mail: jm.pinheiro@projetoderedes.com.br