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Representação Digital de Sinais Analógicos

Quando tratamos com informação de voz, não podemos fugir do fato que, no final, os sinais são
originados e recebidos por mecanismos biológicos (o trato vocal e o aparelho auditivo) que são
analógicos: a informação é codificada, de forma contínua no tempo, em ondas de pressão do ar.
Nos extremos de qualquer mecanismo para transmissão e recepção de sinais de voz estão os
transdutores (microfones e alto-falantes), que irão converter sinais analógicos de pressão em
sinais analógicos de tensão (ou corrente) elétrica, e vice-versa.
Agora um pouco de matemática. Um sinal qualquer é representado como uma função do tempo
s(t). Uma das formas de analisar funções complicadas é representá-las por somas de outras
funções mais simples que, dentro de certos limites, produzem o mesmo resultado que a função
complicada. Isto é conhecido como expansão em série de funções.
Uma das várias formas possíveis de expansão em série é a série de Fourier, que representa a
função original por uma soma infinita (e envolvendo números complexos) de funções seno e coseno.
Com alguns algebrismos, podemos simplificar para uma soma infinita de funções co-seno,
do tipo:
s(t ) = S A.cos(w.t )
Não vamos entrar no detalhe de como calcular as amplitudes A (o que envolve cálculo integral).
O que nos importa é que, se s(t) for periódica (com freqüência angular w
s=2.p.f, f=1/T, onde T
é o período), somente os termos correspondentes a freqüências angulares que sejam múltiplos
inteiros da freqüência angular de s(t) (w=0, w=± w
s, w=±2. w
s, ...) terão amplitudes A diferentes
de zero.
Se s(t) não é periódica, entretanto, podemos encontrar amplitudes A diferentes de zero para
qualquer valor real de w entre menos infinito e mais infinito.
Cada um dos termos do somatório com amplitude A diferente de zero é denominado uma
componente de freqüência de s(t), e contribui para a soma total de acordo com a sua amplitude
A.
Se fizermos um gráfico das amplitudes das componentes de freqüência de s(t), como função da
freqüência angular, obtemos uma outra função S(w), que representa a contribuição de cada
componente de freqüência na formação de s(t), e que é conhecida como o espectro de
freqüências de s(t). A função S(w) é a transformada de Fourier de s(t), e o processo matemático
para obter diretamente S(w) a partir de s(t) é denominado transformação de Fourier.
Analogamente, o processo para obter s(t) a partir de S(w) é denominado transformação inversa
de Fourier. A figura 2 ilustra isto.

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