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O
VoIP agora é móvel
Com Voz sobre IP,
as empresas podem transformar o notebook e o celular dos funcionários
em extensão do ramal corporativo. Isso gera produtividade
e joga para baixo os custos de telefonia
por Françoise Terzian > ilustrações
Cellus
Está cada vez mais próxima da realidade
corporativa a possibilidade de usar VoIP (Voz sobre IP) de forma
móvel, em dispositivos como notebooks, PDAs e celulares dual-mode,
aparelhos bilíngües que permitem falar usando WiFi e
GSM. Assim, é possível conversar de qualquer lugar
do mundo sem usar os serviços de uma operadora nem encostar
um dedo no aparelho fixo convencional ou num telefone IP de mesa.
Usando Voz sobre IP, os funcionários da
empresa podem atender seu ramal num notebook conectado à
rede WiFi. Ou usar um celular pronto para VoIP para falar com um
colega de trabalho que tenha o sistema instalado. Tudo isso sem
gastar um único centavo com minutos ou roaming, estejam os
dois onde estiverem. Batizada de VoIP móvel ou voz móvel
sobre protocolo internet, essa tecnologia é quentíssima
e tem tudo para pegar nas grandes corporações.
"Trata-se de uma tendência irreversível,
pois reduz custos. Cada vez mais dispositivos passarão a
ter suporte à tecnologia WiFi, uma boa alternativa ao uso
da rede celular", afirma Elia San Miguel, analista de telecomunicações
do instituto Gartner.
Calcula-se que até 2010 o mercado de VoIP
móvel deverá movimentar algo como 12 bilhões
de dólares ao ano somente na Europa. Estudo da consultoria
especializada Rhetorik revela que cerca de dois quintos das companhias
no mundo planejam substituir suas linhas fixas e de celular por
dispositivos móveis que utilizam VoIP.
Assim, o número de linhas VoIP deverá
crescer 87,5% por ano na América Latina, até 2011,
movimentando 1,1 bilhão de dólares, segundo dados
apurados pela consultoria Frost & Sullivan. Com esses números,
o Brasil deve ser o responsável pela maior base de usuários
da tecnologia na região, ficando com aproximadamente 49%
do mercado.
Mas ainda estamos bastante atrasados em relação
aos Estados Unidos e à Europa. A deficiência está
diretamente relacionada ao alto índice de sistemas analógicos
de telefonia existentes nas empresas, que beira os 80%, na conta
dos especialistas. Ainda são poucas as companhias brasileiras
que transformaram o notebook ou o PDA de seus funcionários
em uma extensão móvel do ramal.
"O Brasil pode ser considerado um late adopter
nessa tecnologia", afirma Júlio Puschel, analista sênior
do instituto Yankee Group, que há vários anos estuda
o comportamento dos sistemas e das tecnologias móveis no
mundo.
Lá fora o VoIP móvel já é
uma realidade. Com 50 mil funcionários no mundo, a Cisco
é uma das empresas pioneiras na oferta e no uso interno da
tecnologia, em operação desde o ano 2000. No Brasil,
a filial da Avaya, fornecedora de infra-estrutura IP, também
usa VoIP como um meio de comunicação entre as equipes.
Há ainda outros exemplos, como o do Bank of America e da
chinesa Shanghai General Motors, uma jointventure entre a Shanghai
Automotive Industry Corporation e a General Motors americana. Como
o mercado chinês é ultracompetitivo, a montadora decidiu
substituir a telefonia convencional por notebooks dotados de Voz
sobre IP. O intuito é ganhar competitividade operacional
por meio do aumento da produtividade e da eficiência da equipe.
Quando o time da fábrica tem alguma dúvida, a chefia
é acionada de qualquer lugar do mundo, pelo notebook com
VoIP.
Há também os benefícios do
uso da videoconferência móvel. Usada em larga escala,
a videoconferência gerou para a General Motors, apenas no
projeto piloto, uma redução de 12% nos custos semanais
com ligações telefônicas. Em conseqüência,
a economia com viagens também foi grande.
A próxima onda do VoIP móvel será
marcada pela utilização de celulares VoWiFi. Mas os
únicos usuários brasileiros atualmente são
os fornecedores da tecnologia, como as empresas Avaya, Cisco e Nokia.
Apesar de o mercado ser ainda embrionário, já há
na fila para implantar VoIP nos celulares CIOs de grandes empresas
interessados em reduzir custos com telefonia e melhorar o serviço,
como mostram os exemplos de empresas como Habib's, a construtora
Cyrela e a montadora General Motors. Júlio Puschel, do instituto
Yankee Group, acredita que a queda no preço das soluções
de telefonia IP e a conseqüente redução de custos
de telefonia empurrarão essa tecnologia para dentro das empresas.
Produtividade maior
Desconhecimento e problemas culturais são
dois desafios a serem vencidos. Ao contrário do VoIM (Voice
Over Instant Messenger), cujos exemplos são Skype e MSN,
o VoIP móvel é uma tecnologia corporativa, pois adiciona
segurança, qualidade e recursos inteligentes à ligação
telefônica. Mas é também embrionária.
Elia San Miguel, do Gartner, calcula que menos de 1% dos usuários
do mundo usam VoIP sobre wireless. Mesmo assim, a tecnologia é
considerada emergente. Segundo San Miguel, a VoWiFi no celular deve
atrair tanto usuários corporativos interessados em atender
o ramal da rua quanto os usuários domésticos. Ferramentas
como Gizmo e Skype, que oferecem comunicação gratuita
entre seus usuários, deverão ser muito acessadas pelas
redes WiFi.
O VoIP móvel promete gerar benefícios
ao universo corporativo. O primeiro é o aumento da flexibilidade
e da produtividade dos executivos. O segundo é a redução
dos custos com telefonia dentro das empresas. Isso sem falar na
satisfação dos clientes, que encontrarão mais
facilmente seus fornecedores ou prestadores de serviços,
e conversarão menos com secretárias eletrônicas."O
VoIP móvel é muito interessante para o teletrabalho
e uma das tecnologias mais preparadas para suportar essa tendência",
afirma Puschel, do Yankee Group. Com qualquer dispositivo móvel
será possível não só falar, mas também
verificar, pelo softphone, o software que simula um telefone, quais
colegas estão online, além de realizar videoconferência
com compartilhamento de arquivos e se comunicar a custo zero ou
ao preço de uma tarifa de ligação local.
Conta de telefone menor
A filial brasileira da Avaya tem 50 funcionários
que usam IP. Quando não estão com um aparelho fixo
IP conectado à mesa onde trabalham, carregam um notebook
com softphone instalado e também um celular dual-mode, o
modelo E61, da Nokia. Ele permite falar usando tanto redes WiFi
como a tecnologia GSM. "Com os usuários sempre logados
e prontos para atender as chamadas, independentemente de onde estejam,
a satisfação do cliente aumenta", diz Maurício
Dall'Acqua, diretor de TI da Avaya.
Os usuários de VoIP têm o ramal da
empresa transportado para seus aparelhos móveis e com o IP
Softphone usam instant messaging e podem fazer videoconferência.
Na Avaya, o telefone fixo foi substituído por um virtual,
que, além de trazer redução de custos, integra
voz, vídeo e texto. Notebooks com função de
telefone são uma realidade na rotina da empresa desde 2001.
Dos 350 funcionários da Avaya, 320 usam
notebooks. Com o IP Softphone, o gerenciamento das aplicações
passou a ser feito de maneira mais efetiva pela área de tecnologia.
Agora, a TI consegue estender todas as funcionalidades disponíveis
no equipamento central para os usuários remotos.
Segundo Dall'Acqua, a infra-estrutura IP é
mais barata do que a TDM. Isso ocorre porque o usuário realiza
chamadas para o seu local de origem sem pagar outra tarifa. Desde
o ano passado, a companhia começou a ofeoferecer a uma parte
de seus usuários o VoWiFi no celular. Assim, ao entrar no
escritório o celular do funcionário se loga na rede
WiFi e se transforma em ramal fixo. Ao sair da rede de cobertura
WiFi, o aparelho volta a operar no modo GSM. A Avaya comprou access
points da Extreme Networks, fez um upgrade do PABX e fechou acordo
corporativo com a operadora Claro.
Para CIOs interessados em partir para um modelo
similar, um desafio a ser observado diz respeito à infraestrutura.
Empresas com sistemas antigos geralmente não suportam os
padrões necessários para a implementação
de uma rede WiFi/GSM. Nesse caso, investimentos são necessários
e obrigatórios. Mas os benefícios podem ser observados
nas contas de telefone, com a redução dos custos com
chamadas de celular entre os usuários da rede. E o retorno
do investimento? Vem em quanto tempo? Maurício Dall'Acqua,
da Avaya, afirma que o prazo para atingir o ROI varia de seis a
18 meses, dependendo do tamanho da empresa e da complexidade da
solução implantada.
Entre as operadoras de celular, se até há
pouco tempo o VoIP soava como palavra proibida, hoje já pode
ser observado como uma nova fonte de receita. O modelo de negócios
para as operadoras, entretanto, ainda precisa ser estabelecido.
No exterior, o que tem se mostrado mais viável é a
cobrança de uma tarifa mensal para a utilização
de um determinado volume de dados e voz.
VPN garante a segurança
Para colocar o VoIP móvel em operação,
a área de TI precisa investir em quatro elementos: 1) dispositivos
móveis, como notebooks, PDAs ou celulares; 2) softphone,
a ser instalado no equipamento do usuário, para fazê-lo
funcionar como telefone virtual; 3) conexão sem fio à
internet, que pode ser por rede WiFi ou celular; e 4) PABX IP. Para
as empresas que não podem fazer investimentos pesados numa
nova infraestrutura, é possível alugar um ramal móvel,
oferecido por operadoras de VoIP, como a americana Verizon e a francesa
Neuf Cegetel. No Brasil, a Transit Telecom libera a empresa de ter
um PABX IP. Com seu VoIPNet, a operadora interliga matriz e filiais
de clientes sem a necessidade de troca expressiva de equipamentos,
a não ser pela adoção de gateways apropriados.
A Vono, da GVT, também começa a avançar na
oferta de serviços de VoIP.
O mercado já oferece uma gama considerável
de dispositivos móveis com boa capacidade de processamento
e bateria com tempo de vida mais longo. Entre os notebooks, boa
parte já sai de produção com capacidade de
reconhecer sozinho e conversar com uma rede WiFi (802.11). Os PDAs
também já começam a ganhar força com
a oferta do MoIP (Mobile over IP), assim como os celulares dual-mode,
conhecidos por WiFi fones ou VoWLAN.
A oferta de aparelhos ainda é restrita.
Segundo a empresa americana de pesquisa de comunicação
e infra-estrutura In-Stat, no ano passado, só 6,3 milhões
de celulares dual-band foram produzidos. Mas esse número
deve saltar para mais de 50 milhões em 2009. A Nokia é
a fabricante que desponta no mercado, com seus modelos Eseries e
Nseries. No Japão, quem faz muito barulho é a NEC,
com o N900iL. A operadora japonesa NTT DoCoMo, adepta do 3G WCDMA,
oferece o aparelho às empresas.
Para as redes WiFi, montadas dentro e fora das
empresas, os CIOs devem buscar fornecedores de acess points preocupados
em dotar seus equipamentos com criptografia forte e suporte à
qualidade de serviço. Para não ver a rede da empresa
ser invadida e nem ter conversas telefônicas interceptadas,
a TI também terá de redobrar os cuidados com a segurança.
Hackers mal-intencionados podem capturar os dados
que transitam pelo ambiente e ouvir conversas. Para não correr
riscos, Cássio Garcia, gerente da Nortel, diz que o caminho
é usar uma VPN (Virtual Private Network), um túnel
privado pelo qual transitam dados criptografados. "Conversar
usando VoIP em VPN é muito mais seguro que conversar por
um telefone fixo convencional", afirma Maurício Gaudêncio,
gerente de produtos da Cisco para a América Latina. A segurança,
entretanto, não deve descuidar da outra ponta. O PABX IP
também precisa ter um algoritmo de segurança e criptografia,
assim como toda a rede.
A conexão de banda larga é outro
item que precisa ser observado com atenção. É
preciso que o CIO faça um dimensionamento de link para assegurar
banda suficiente para o tráfego de voz e dados. "A banda
larga é responsável por assegurar o mínimo
de qualidade ao serviço", afirma Charles Sola, gerente
de novas tecnologias da Siemens Enterprise Communications.
Numa conversa que usa VoIP nas duas pontas, os
pacotes de voz não podem se perder nem ter a entrega atrasada.
Para isso, a recomendação é fazer com que as
redes priorizem a voz no lugar dos dados, caso contrário
a qualidade poderá ser ruim."Dá para demorar
um milissegundo para receber um e-mail. Entretanto, se o mesmo atraso
afetar o pacote de voz, a frase ficará picotada", afirma
Fernando Lucato, gerente de desenvolvimento de novos negócios
da Cisco.
Atraso e eco
Para substituir as ligações convencionais feitas por
telefones fixos ou celulares, o VoWiFi terá de deixar algumas
barreiras para trás, como a qualidade de serviço (Quality
of Service). Até há algum tempo, muitos usuários
do VoIP em rede cabeada reclamavam da qualidade da ligação,
prejudicada por atrasos e eco. Hoje há reclamações
nesse sentido, embora seu índice tenha caído drasticamente.
A parte cultural é também outro grande
entrave a ser superado. Quem sentiu isso na pele foi a Vex, operadora
com 1 100 hotspots no país. Como WiFi é o produto
da casa, Marcelo Toledo,CTO (Chief Technology Officer) da Vex, resolveu
experimentar o VoIP como substituto das ligações telefônicas
convencionais. Há dois anos, ele contratou um serviço
de ramal virtual de uma operadora VoIP, o que levou à instalação
de um softphone nos desktops e notebooks dos funcionários.
Com o tempo os usuários foram deixando o softphone de lado
e passaram a usar o telefone tradicional. Lição aprendida:
"Se você quer ter sucesso com VoIP, elimine o telefone
convencional", diz Toledo.Agora, determinado a banir os aparelhos
fixos dos 45 usuários, o projeto de VoIP fixo e móvel
ressuscitou. A diferença é que a empresa investiu
em um PABX IP e testa a tecnologia com alguns funcionários.
Para evitar novas desistências, Toledo decidiu que o telefone
tradicional vai desaparecer. Para isso, investiu em infra-estrutura
para a telefonia IP e contratou a operadora Vono, da GVT. A única
exceção será a área de suporte, em que
o VoIP funcionará como meio de comunicação
número um e a telefonia tradicional como backup. No total,
Toledo espera reduzir os gastos com telefonia da Vex em 50%.
BARREIRAS AO VOIP
- Com a popularização do VoIP em redes sem fio, em
um primeiro momento a qualidade do som não será excepcional,
por conta de interferências do ambiente e de problemas de
propagação do sinal. Mas o caminho aponta para a estabilização.
- A empresa precisa estar atenta à conexão de banda
larga usada, para evitar gargalos e ter espaço suficiente
para prover um bom serviço para o tráfego de voz e
dados.
WiFi ou 3G?
Ao observar o mercado mundial de usuários
de telefonia e de internet, a primeira percepção é
a de que, hoje, o VoIP móvel ainda é uma exceção
em meio a um ambiente repleto de regras. Para popularizar o uso
de VoIP no celular, especialistas dizem que os fabricantes terão
de investir cada vez mais em aparelhos que suportem altas velocidades
de comunicação. Essa advertência se traduz em
processadores mais ágeis e em custos de memória mais
baixos.
Outro conceito que precisa ser quebrado diz respeito
ao tipo de tecnologia de transmissão de dados. Ao contrário
do que muita gente imagina, o VoIP móvel não está
ligado às redes WiFi. Embora estejam difundidas pelo país
e ofereçam alta velocidade de acesso e transmissão
de dados, as redes WiFi limitam o usuário a fazer VoIP dentro
de um ambiente demarcado pelo access point.
"O VoIP no celular pede alta velocidade na
transmissão dos dados, independentemente da tecnologia usada",
afirma Fiori Mangoni, gerente de multimídia da Nokia no Brasil.Para
ampliar a área de uso, a telefonia celular de terceira geração
promete ser uma saída. No momento, a Vivo é a única
operadora celular com rede 3G em operação no país.
As outras operadoras aguardam o leilão de freqüências
de 3G, que deve acontecer em novembro ou dezembro deste ano, conforme
estipulou a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
A tendência é que todas as operadoras usem o padrão
UMTS/WCDMA, incluindo a Vivo, que também aderiu ao GSM. Futuramente
há a promessa do WiMax, rede sem fio de alta velocidade e
longo alcance que tende a impulsionar o VoIP móvel.
Embora a rede WiFi tenha velocidade maior, as celulares
de terceira geração oferecem taxa de transmissão
alta o suficiente para assegurar uma ligação VoIP
de qualidade. O problema é o custo. Falar em VoWiFi é
mais barato, apesar de não ser 100% gratuito, porque é
preciso pagar por uma conexão sem fio de banda larga.O CIO
terá que escolher entre os dois modelos.Com WiFi, os celulares
podem ser transformados em ramal do PABX IP quando se encontram
numa rede sem fio. Se os usuários estiverem dentro da empresa,
o chaveamento é automático. Se estiverem fora da rede
corporativa, o acesso remoto ao PABX deverá ocorrer pela
VPN.
Produtividade sem fio
O VoIP sem fio está ajudando um dos complexos
produtivos da Alcoa, gigante do setor de produção
e refino de alumínio, a elevar sua eficiência produtiva
e a acelerar a tomada de decisões. A tecnologia é
usada no Consórcio Alumar, complexo de produção
de alumínio e alumina localizado em São Luís,
no Maranhão. Uma das dificuldades enfrentadas no local era
o controle das cubas, fornos de alta temperatura usados para produzir
lingote de alumínio. Esse tipo de processo pede um gerenciamento
constante de vários indicadores por parte dos operadores,
que são obrigados a se deslocar para checar in loco todos
os dados.
O problema é que entre a sala de controle
e o local das cubas, os operadores tinham de caminhar cerca de um
quilômetro para checar os dados e tomar as ações
necessárias. Depois retornavam à sala de controle
para fazer os registros. Esse vaie- vem, várias vezes ao
dia, impactava na produtividade dos operadores e no tempo de resposta
aos problemas. A situação começou a mudar a
partir de um projeto da área de TI, que adotou sistemas de
comunicação com PABX IP, da Cisco, implantou uma rede
WLAN nas salas de cubas e disponibilizou PDAs da Intermerc para
os operadores.
Os computadores de mão wireless conversam
com os servidores que controlam os processos das cubas e conseguem
atuar de forma autônoma. Os PDAs têm um softphone instalado,
o que os transforma em ramais móveis e facilita a comunicação
com a sala de controle ou com os engenheiros de processo. Isso em
casos de necessidade de tomada de decisão. Na prática,
o conjunto permitiu a implantação do VoIP móvel
e o acesso rápido às variáveis do processo.
Por meio do PDA, o operador realiza todas as ações
necessárias. Segundo Tânia Nossa, CIO da Alcoa, a solução
trouxe uma produtividade visível aos operadores, reduzindo
o tempo para execução de tarefas e para a tomada de
decisões.
Se a opção fosse pelo celular, o
sucesso não seria o mesmo. Eric Schultz, gerente de telecom
da Alcoa, diz que o uso do celular é inviável, pois
o sinal fica comprometido no local e o operador teria ainda de carregar
o PDA e o telefone celular.
VoIP terceirizado
A General Motors usa VoIP fixo e móvel há
cerca de três anos sem nunca ter comprado um PABX IP, aparelhos
de mesa IP ou softphones para instalação nos notebooks.
Nem mesmo as telefonistas que atuam na montadora pertencem ao seu
quadro de funcionários. Todo o serviço é terceirizado
com a Siemens. De uma tacada só a TI conseguiu quebrar dois
paradigmas: adotar a tecnologia VoIP como meio principal de comunicação
e abrir mão da posse de inúmeros ativos de telecom.
A GM tinha uma infraestrutura de telefonia desatualizada, mas os
custos dos equipamentos IP eram altos demais e ainda exigiam evoluções
constantes. Para evitar investimentos freqüentes, a GM optou
pelo modelo de serviços.
Na hora de avaliar a qualidade do serviço,
é o próprio CIO quem dá a palavra final. Afinal,
ele é um dos principais heavy users da tecnologia. Como viaja
muito ao exterior, Cláudio Martins, responsável pela
TI da GM para as regiões do Mercosul, África e Oriente
Médio, tem seu ramal no notebook. Dessa forma, o número
de seu telefone fixo de São Caetano do Sul, na Grande São
Paulo, toca automaticamente no notebook cada vez que Martins digita
seu login e senha na rede. O acesso pede uma conexão de internet
banda larga cabeada ou sem fio (WiFi ou celular). Para facilitar
a comunicação, Martins usa um fone Bluetooth. Por
segurança, a transmissão de voz e dados ocorre por
meio de uma VPN.
"É muito prático usar VoIP pelo
notebook. Você fica mais disponível e produtivo",
diz Martins. Caso queira usar um celular no lugar do computador
portátil, a facilidade não seria a mesma. As operadoras
não têm cobertura em todas as regiões. Quando
têm, os custos com roaming são altos.
Há outros benefícios do VoIP móvel
na GM, como digitação apenas do ramal pelo softphone,
no lugar de todo o número; acesso à lista atualizada
de ramais em todas as unidades do mundo; e integração
a um portal de audiconferência, que carrega todas as mensagens
de voz. Usuária da tecnologia desde 2004, a GM iniciou o
projeto pelo Brasil. Ao todo são 7 000 os usuários
do VoIP e quase 1 000 têm o recurso a partir do notebook.
Segundo Marcos Goffetto, gerente de telecom da GM, as ligações
entre as plantas têm custo zero, sejam elas brasileiras ou
não.
Ramal no notebook
São 2 horas da manhã em Dubai, Emirados
Árabes, quando o ramal de Pedro Ripper, presidente da Cisco
no Brasil, toca em seu notebook. Ele está no aeroporto, respondendo
e-mails enquanto aguarda o chamado para embarcar. Com um fone Bluetooth,
Ripper atende a ligação e conversa por 10 minutos.
Do outro lado da linha, o cliente nem imagina que Ripper está
no saguão do aeroporto, com fuso horário de sete horas
para mais, falando sem segurar um telefone. O VoIP pelo notebook
é usado por 300 funcionários da subsidiária
brasileira da Cisco. No escritório, há um telefone
IP. Na rua, o aparelho fixo e o celular são substituídos
por um softphone.
Com o avanço da tecnologia, o recurso se
transformou em uma importante ferramenta de trabalho para executivos.
"A produtividade é enorme, porque muitas vezes a rede
de contatos tem seu ramal e não o número do celular",
diz Ripper, que também testa o VoIP pelo celular. Na Cisco
a solução passa pela infra-estrutura de telefonia,
para simplificar a gestão, reduzir custos e aumentar a segurança.
A centralização do serviço na rede interna
permite que o usuário divulgue em seu cartão de visitas
apenas o ramal corporativo. Dessa forma, ele tem um único
número, acessado de sua mesa de trabalho, de casa ou no notebook.
Tudo a um custo zero ou de ligação local. Hoje, segundo
Fernando Lucato, gerente de novos negócios da Cisco, a empresa
consegue transferir ligações do ramal fixo para o
notebook, visualizar quem está conectado à rede e
realizar videoconferência com compartilhamento de documentos.
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